Cinco anos depois, o experimento de Bukele com o bitcoin perde força em El Salvador

O governo de Nayib Bukele transformou El Salvador no primeiro país do mundo a adotar o bitcoin como moeda de curso legal, ao lado do dólar, em 2021. A proposta foi apresentada como um passo rumo à modernização financeira, com a promessa de ampliar o acesso bancário e facilitar transferências enviadas por salvadorenhos no exterior.
Cinco anos depois, porém, o saldo é bem mais modesto do que o discurso inicial sugeria. O uso do bitcoin deixou de ser obrigatório, a moeda voltou a ter aceitação voluntária e o dólar retomou protagonismo como única referência oficial do país.
Parte das iniciativas mais ambiciosas também não saiu do papel. A chamada Bitcoin City, assim como a emissão dos títulos vinculados ao vulcão, não avançou como prometido, enquanto o uso de carteiras digitais permaneceu limitado na prática.
A reportagem mostra ainda que a adesão popular foi fraca e que o governo acabou cedendo à pressão financeira internacional. Mesmo assim, o Estado segue ligado à operação da carteira Chivo, agora sob controle de outra empresa, o que indica que o capítulo do bitcoin em El Salvador não terminou por completo, mas perdeu muito do seu impulso original.
Comentário de Alexandra Barreto
Essa história é um bom lembrete de que não basta uma narrativa forte para sustentar uma mudança financeira profunda. No começo, a ideia do bitcoin em El Salvador podia despertar euforia, sensação de ruptura e até um certo medo de ficar de fora, mas a experiência mostra que adoção de verdade depende de confiança, hábito e utilidade concreta no dia a dia. Quando a população não incorpora a novidade e o benefício prático não aparece, o entusiasmo perde força — e, com ele, também some a energia emocional que sustentava o projeto. Para quem investe, fica a lição de olhar além do slogan: promessas grandes podem mexer com expectativas, mas o que sustenta valor ao longo do tempo é comportamento real, disciplina e aderência ao mundo concreto.




