Intervenção histórica de EUA e Japão não consegue conter a queda do iene

O iene perdeu fôlego menos de duas semanas depois de uma intervenção considerada histórica, na qual Washington se juntou a Tóquio para comprar a moeda japonesa. Depois de ter se fortalecido para perto de 155 por dólar, o câmbio voltou a subir e já opera acima de 159.
Segundo a reportagem, a tentativa de sustentar o iene esbarrou em forças de mercado mais profundas, como a diferença de remuneração entre Japão e Estados Unidos. Enquanto os juros japoneses permanecerem muito abaixo do retorno oferecido no exterior, operações de carry trade tendem a reaparecer.
A proximidade do nível de 160 por dólar é vista como importante do ponto de vista psicológico, reforçando o desconforto com a desvalorização da moeda. Mesmo assim, a leitura de especialistas é que intervenções pontuais podem assustar o mercado, mas não alteram sozinhas os fluxos que empurram a moeda para baixo.
O cenário também segue influenciado por expectativas políticas e fiscais no Japão, além de movimentos recentes em ações locais. Ainda assim, o pano de fundo principal continua sendo a diferença de juros e de retornos entre as duas economias.
Comentário de Lucas Faria
Esse é um caso clássico de mercado dizendo que política pontual não vence prêmio de juros por muito tempo. A intervenção conjunta de EUA e Japão teve efeito tático, mas enquanto a remuneração nos Estados Unidos continuar muito mais atraente do que no Japão, o fluxo naturalmente volta a pressionar o iene. O recado para o mercado é claro: sem mudança mais consistente nas condições monetárias, o alívio tende a ser temporário e a volatilidade cambial segue elevada.




