Escalada no Oriente Médio leva Brent a US$ 107 e eleva risco para oferta global

O barril do Brent, referência internacional do petróleo, avançou 6,3% e terminou o pregão a US$ 107,63, depois de chegar a superar US$ 108 ao longo do dia. Foi a maior cotação desde maio, em um movimento que se acelerou nas últimas semanas.
A alta ganhou força após os Houthis, grupo do Iêmen alinhado ao Irã, assumirem o controle de Moca, cidade portuária considerada estratégica para o transporte de petróleo da Arábia Saudita. A tomada do porto e as ameaças a navios sauditas aumentaram o receio de novos obstáculos à oferta global.
O mercado também acompanha os impactos mais amplos do conflito no Oriente Médio, que já vinha afetando rotas importantes como o Estreito de Ormuz. Com mais pontos de escoamento pressionados, cresce a preocupação com uma possível redução na oferta, o que tende a sustentar os preços.
Além do efeito direto sobre o mercado de energia, o petróleo mais caro aumenta a pressão sobre inflação e juros, especialmente nos Estados Unidos. No Brasil, o governo reagiu com medidas para aliviar o impacto sobre combustíveis, em meio à escalada recente das cotações.
Comentário de Lucas Faria
O petróleo em US$ 107 não é um número isolado, é o mercado dizendo que passou a atribuir prêmio relevante ao risco de interrupção de oferta. Quando rotas estratégicas e infraestrutura no Oriente Médio entram no radar, a precificação deixa de ser só de demanda e passa a ser, sobretudo, de segurança do fluxo — e isso costuma manter o Brent sustentado enquanto o risco não arrefece. Para a macro, o recado é ruim: combustível mais caro pressiona inflação, reduz espaço para bancos centrais relaxarem a política monetária e eleva a volatilidade nos mercados globais.




