Petróleo recua após sinais de possível acordo sobre navegação no Estreito de Ormuz

O petróleo devolveu parte dos ganhos recentes e terminou o pregão desta sexta-feira em baixa, depois de ter acumulado uma alta expressiva ao longo da semana. A correção ocorreu em meio à leitura de que o mercado pode estar antecipando algum alívio nas tensões ligadas ao Oriente Médio.
No fechamento, o WTI caiu e o Brent também encerrou em desvalorização, embora ambos continuem negociados acima da marca de US$ 100 por barril. Na semana, porém, as duas referências ainda registraram avanço relevante, refletindo a aversão a risco causada pelo conflito.
Entre os fatores que seguem sustentando a volatilidade, estão os movimentos dos houthis para ampliar o controle sobre rotas marítimas e a reação dos Estados Unidos, que têm reforçado apoio estratégico na região. Ao mesmo tempo, há expectativa de conversas diplomáticas envolvendo países do Golfo e o Irã, com foco em uma solução temporária para a navegação no estreito.
A Agência Internacional de Energia também chamou atenção para a pressão maior sobre produtos refinados, como diesel e gasolina, e para a possibilidade de queda mais forte no consumo e na oferta global de petróleo neste ano.
Comentário de Lucas Faria
Esse movimento é típico de mercado que ainda está reagindo mais ao risco geopolítico do que aos fundamentos puros de oferta e demanda. O Brent e o WTI ficaram acima de US$ 100, o que mostra que o prêmio de risco continua embutido, mas qualquer sinal de distensão em Ormuz ou no entorno do Mar Vermelho já basta para provocar correção. Para o câmbio e para ativos sensíveis a inflação, isso importa bastante: petróleo caro sustenta pressão sobre combustíveis e sobre a percepção de inflação global; petróleo recuando alivia um pouco esse canal, mas ainda sem tirar o tema do radar.




