Mercados globais azedam com BoJ, Oriente Médio e alta do petróleo

Os investidores iniciam a sessão desta quarta-feira em modo de aversão a risco, refletindo principalmente as falas do presidente do Banco do Japão, Kazuo Ueda, que voltou a defender a possibilidade de nova elevação dos juros no país.
A sinalização mexe com uma engrenagem importante dos mercados globais: o carry trade, operação em que investidores tomam recursos em moedas de juros baixos para aplicar em ativos com retorno maior. Com isso, os rendimentos dos títulos americanos e britânicos voltaram a subir durante a madrugada.
Ao mesmo tempo, os ataques dos Estados Unidos contra o Irã ampliam a tensão geopolítica e mantêm o petróleo em alta desde o início da semana. A combinação de juros globais mais pressionados e risco no Oriente Médio pesa sobre bolsas e ativos de risco.
Nesse ambiente, o Ibovespa em dólar avança, mas o pano de fundo continua sendo de cautela nos mercados internacionais, com os investidores monitorando simultaneamente política monetária no Japão e a escalada no Oriente Médio.
Comentário de Lucas Faria
Aqui o ponto central não é o Ibovespa em si, mas a mudança de humor no mercado global. A fala do BoJ mexe com uma estrutura importante de liquidez internacional, porque qualquer ajuste mais firme no Japão tende a desorganizar o carry trade e a puxar pressão sobre juros e moedas. Somando isso à escalada entre EUA e Irã, o investidor passa a precificar mais risco, petróleo mais caro e menos conforto para bolsas e ativos sensíveis a juros; é exatamente esse tipo de combinação que costuma favorecer dólar forte, volatilidade e uma postura mais defensiva nas carteiras.




