Seca no início da safra em Mato Grosso ameaça a produção de soja

Entre 1º de setembro e 27 de outubro, Mato Grosso acumulou 186 milímetros de chuva, volume 33% inferior à média histórica para o período. O levantamento, divulgado pela Aprosoja-MT, usa dados da EnsoAg/SmartCampo e da NASA.
O quadro preocupa produtores porque 22 dos 23 municípios analisados tiveram precipitação abaixo do esperado. As regiões Oeste e Médio-Norte aparecem entre as mais pressionadas, com destaque para a área dos Parecis, onde municípios como Campos de Júlio registraram volumes muito abaixo do normal.
Mesmo com o avanço do plantio, lavouras semeadas mais cedo já sentem os efeitos da baixa umidade, especialmente na fase reprodutiva. Além do risco para o potencial produtivo, a irregularidade das chuvas pode dificultar o controle de plantas daninhas e pragas, elevando os custos da safra.
Por enquanto, ainda não há estimativa de perdas consolidadas. A avaliação do setor é de que o tamanho do impacto só ficará mais claro nas próximas semanas, à medida que o desenvolvimento das lavouras avance.
Comentário de Nathália Castanheira
Esse é exatamente o tipo de cenário que tira a tranquilidade da conta de produção: o produtor planta, mas sem chuva regular a lavoura entra rapidamente em estresse, sobretudo nas áreas mais adiantadas. Para soja, o momento de estabelecimento e a fase reprodutiva são decisivos; se a umidade não vier na hora certa, o risco não é só de queda de rendimento, mas também de pressão maior de pragas, daninhas e custo operacional. Ainda é cedo para cravar quebra, mas o mercado já deveria começar a precificar um risco climático maior para a safra 2026/2027, principalmente porque Mato Grosso é peça central da oferta brasileira.




