Reeleição de Lula, Fed no radar e petróleo sustentado ampliam cautela nos mercados

A reação do mercado continua dominada pelo resultado das eleições presidenciais no Brasil, que levou investidores a recalcular expectativas para juros, câmbio, bolsa e contas públicas. A preocupação central é com a condução da política fiscal no novo mandato e com seus efeitos sobre a credibilidade econômica do país.
Na sessão desta terça-feira, o dólar devolve parte da alta histórica da véspera e volta a operar mais baixo, depois de ter disparado no dia anterior. O Ibovespa, por sua vez, oscila após a forte queda registrada na véspera, quando acumulou uma das maiores perdas diárias desde a pandemia.
No exterior, a atenção está voltada à decisão do Federal Reserve sobre os juros nos Estados Unidos, prevista para a quarta-feira. O mercado também monitora as eleições em Israel e a trajetória do petróleo, que segue em patamar elevado diante das tensões no Oriente Médio.
Comentário de Lucas Faria
A mensagem do mercado é clara: a vitória de Lula aumentou a exigência por sinais concretos de disciplina fiscal, porque sem isso o ajuste nos ativos não termina na cabeça dos investidores. O dólar já fez o movimento mais agressivo de reprecificação e o Ibovespa ainda está tentando encontrar um piso, enquanto o exterior adiciona mais cautela com a decisão do Fed e o petróleo em patamar elevado. Neste ambiente, qualquer sinal de compromisso com contas públicas mais previsíveis ajuda a reduzir volatilidade; sem isso, o mercado tende a continuar cobrando esse risco via câmbio e curva de juros.




