Inflação da zona do euro acelera a 4% e reforça pressão sobre o BCE

A inflação anual da zona do euro atingiu 4% em outubro, segundo a primeira leitura divulgada, acima dos 3,8% registrados em setembro e em linha com o consenso de economistas consultados pela Reuters.
O principal fator por trás da aceleração foi a energia, cuja inflação subiu para 20,8%, ante 18,9% no mês anterior. Como a Europa depende de importações de energia, a região segue exposta a choques externos que continuam pressionando os preços.
O dado reforça o debate sobre a política monetária do Banco Central Europeu, que ainda pode precisar endurecer as condições financeiras em sua última reunião do ano. Apesar da inflação maior, as taxas continuam acima da meta de 2% em todos os países da área do euro.
Entre os países da região, houve diferenças relevantes: a Lituânia teve a maior taxa, de 6,1%, enquanto Malta registrou 2,3%. A leitura também coincidiu com a valorização do euro frente ao dólar nesta manhã.
Comentário de Lucas Faria
O dado de 4% mostra que o combate à inflação na zona do euro ainda está longe de encerrar. Quando a energia acelera nessa magnitude, o banco central fica com menos liberdade para relaxar a política monetária, porque o risco é deixar a desancoragem das expectativas contaminar o restante da economia. O BCE pode até tentar esperar sinais mais claros de desaceleração, mas a leitura de hoje aumenta a chance de uma postura mais cautelosa e mantém os juros no centro da discussão global.




