Lei da Reciprocidade eleva cautela e mantém dólar acima de R$ 5,20

A moeda americana ganhou força no mercado doméstico após o governo brasileiro iniciar a aplicação da Lei da Reciprocidade contra os Estados Unidos, aumentando a cautela em relação aos ativos locais. A medida abre espaço para reação do Brasil a ações externas consideradas prejudiciais a seus interesses.
No exterior, a pressão sobre o real foi parcialmente limitada pela queda do DXY, índice que mede o desempenho do dólar ante uma cesta de divisas fortes, além da ausência de uma direção clara da moeda americana frente às moedas emergentes.
Segundo um gerente de câmbio ouvido pela reportagem, o ambiente já vinha sensível por causa da saída de investidores estrangeiros, do risco fiscal e eleitoral e da insegurança jurídica. Nesse contexto, investidores com posições de longo prazo também passaram a buscar proteção.
Por volta das 11h10, o dólar à vista subia e seguia negociado acima de R$ 5,20, enquanto o contrato para setembro também avançava no mesmo ritmo.
Comentário de Lucas Faria
O ponto central aqui não é só a reciprocidade contra os EUA, mas o fato de ela entrar em um ambiente já ruim para a moeda brasileira. Com saída de capital, aversão a risco e dúvidas domésticas no radar, o dólar encontra espaço fácil para se firmar acima de níveis psicológicos importantes. O alívio vindo do exterior, com queda do DXY, até ajuda a conter o movimento, mas não muda a leitura principal: enquanto o fluxo continuar fraco e a percepção de risco local seguir elevada, o real tende a permanecer vulnerável.




