Inflação no Brasil e nos EUA mantém dólar volátil e pressiona Ibovespa

O mercado de câmbio voltou a oscilar nesta sexta-feira, com o dólar avançando em meio à divulgação de indicadores de inflação no Brasil e nos Estados Unidos. Perto das 14h45, a moeda americana subia 0,35%, negociada a R$ 5,1204.
No Brasil, a deflação de 0,32% registrada em agosto reforçou as apostas de que o Banco Central pode promover um novo corte da taxa Selic na próxima reunião do Copom. A leitura do mercado é de que a inflação mais comportada amplia a chance de afrouxamento monetário.
Nos Estados Unidos, o CPI veio em linha com o esperado, com alta de 0,4% em agosto, mas o dado, somado à inflação ao produtor, mantém viva a possibilidade de o Federal Reserve voltar a elevar juros na próxima semana. Essa leitura ajuda a sustentar o dólar em relação a outras moedas.
Além disso, a queda do petróleo e a realização de lucros após a forte alta recente da commodity também entram no radar dos investidores. No mesmo horário, o Ibovespa recuava 0,84%, aos 186.690 pontos, refletindo o ambiente de cautela nos mercados globais.
Comentário de Lucas Faria
Esse é um retrato clássico de fluxo e diferencial de juros: a inflação brasileira mais baixa abre a porta para um Copom mais dovish, mas o dólar não necessariamente perde força se o Fed continuar com discurso duro. Quando o mercado enxerga maior chance de corte aqui e manutenção de juros elevados ou até alta nos EUA, a pressão sobre o câmbio tende a persistir, mesmo com a melhora recente do quadro doméstico.




