Inflação no Brasil e nos EUA domina o radar dos mercados, com dólar e ações em queda

O mercado brasileiro começou o dia em baixa nesta sexta-feira, com o dólar operando em leve queda e o Ibovespa devolvendo parte dos ganhos recentes. Por volta do fim da manhã, a moeda americana era negociada perto de R$ 5,10, enquanto a bolsa recuava para a faixa de 187 mil pontos.
A principal atenção dos investidores está nos indicadores de inflação divulgados no Brasil e nos Estados Unidos. No Brasil, a leitura de deflação em agosto reforça a expectativa de que o Banco Central mantenha o ciclo de cortes da taxa básica na próxima reunião do Copom.
Nos Estados Unidos, o CPI veio em linha com o esperado, o que mantém o debate sobre os próximos passos do Federal Reserve. O mercado também acompanha o petróleo, que cai após a forte alta recente, em meio à realização de lucros e às tensões geopolíticas no Oriente Médio.
Além dos dados macroeconômicos, o quadro eleitoral brasileiro ainda entra na formação dos preços, ajudando a explicar a cautela dos investidores neste pregão.
Comentário de Lucas Faria
O pano de fundo hoje é clássico de macro: inflação doméstica mais benigna, CPI americano em linha e petróleo em correção depois de uma alta forte. No Brasil, a deflação reforça a leitura de continuidade do ciclo de afrouxamento monetário, o que costuma ajudar a calibrar juros futuros e o câmbio; já lá fora, o dado de preços nos EUA não tira o Fed do centro do debate, mas evita uma reprecificação mais agressiva no curtíssimo prazo. Com petróleo perdendo tração e o mercado ainda olhando o noticiário político local, o investidor tende a reduzir convicção e operar mais taticamente, com o dólar respondendo ao diferencial de juros e o Ibovespa oscilando conforme a leitura sobre fluxo e custo de capital.




