USDA vê estoques de soja do Brasil encolhendo na safra 2026/27

O escritório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos em Brasília estima que o Brasil colherá 184 milhões de toneladas de soja em 2026/27, praticamente mais uma safra recorde. Ainda assim, o balanço aponta estoques finais menores, em 3,96 milhões de toneladas, uma queda de cerca de 35% frente à temporada anterior.
Segundo o relatório, a pressão sobre os estoques vem do avanço simultâneo das exportações e do consumo doméstico, especialmente do processamento industrial. O adido projeta embarques de 117,5 milhões de toneladas e esmagamento de 65 milhões, ambos em alta em relação ao ciclo anterior.
A estimativa do escritório norte-americano difere da projeção oficial do USDA, que trabalha com produção de 186 milhões de toneladas e estoques finais mais altos, de 6,56 milhões. A diferença decorre de premissas distintas para produção e para o volume disponível no início da safra.
O relatório também destaca que a expansão da área plantada deve perder ritmo, limitada por juros altos, custos de produção e incertezas climáticas. O clima, inclusive, segue no radar para a colheita de 2027, o que pode influenciar o resultado final da safra e a recomposição dos estoques.
Comentário de Nathália Castanheira
O ponto central aqui não é uma quebra de produção, e sim a velocidade com que a soja brasileira sai do sistema. Quando exportação e indústria andam juntas nesse ritmo, a margem de segurança encolhe rápido — e é justamente isso que o balanço do adido do USDA está mostrando. Para o produtor, isso reforça a importância de acompanhar não só a safra, mas também a demanda interna por óleo e biodiesel, que pode sustentar o esmagamento. Já para o mercado, estoques mais baixos no fim de 2026/27 significam uma sensibilidade maior a qualquer problema climático ou revisão de produtividade ao longo do ciclo.




